terça-feira, 27 de maio de 2008

União Européia anuncia mudanças em ajuda a países pobres.


Da Efe, em Bruxelas

Os ministros de Desenvolvimento dos países da UE (União Européia) afirmaram nesta terça-feira que promoverão "reformas radicais" na ajuda que o bloco concede às nações menos desenvolvidas.

Além de aumentar o valor total da cooperação, os Estados-membros da UE vão intensificar a colaboração com todos os atores envolvidos no processo, para garantir transparência e melhorar a efetividade da ajuda distribuída.

Em uma reunião em Bruxelas, o bloco renovou o compromisso de ampliar o auxílio aos países pobres para 0,56% do seu PIB (Produto Interno Bruto) até 2010 --quando o valor chegará a 66 bilhões de euros-- e para 0,7% de suas riquezas até 2015, depois que, no ano passado, reduziu-a pela primeira vez, de 47,676 bilhões para 46,087 bilhões de euros.

"A UE continua mantendo suas metas e quer continuar sendo líder mundial em termos de quantidade e qualidade de ajuda ao desenvolvimento", disse, em entrevista coletiva, o secretário de Assuntos Exteriores da Eslovênia, Andrej Ster.

Já no almoço de trabalho, no qual estiveram presentes o diretor-geral das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, e o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), John Powell, os ministros de Desenvolvimento falaram da atual crise dos alimentos.

Fontes da UE disseram que foi constatada a importância de "um compromisso imediato a curto prazo" para minimizar o impacto da alta dos preços dos alimentos básicos.Especificamente, os países do bloco identificaram a necessidade de a ajuda emergencial aos mais prejudicados pela crise ser ampliada e de medidas estruturais serem tomadas.

Agricultura

As conclusões aprovadas indicam que, a médio prazo, a UE apoiará os investimentos em agricultura, infra-estrutura rural, pesquisas agrícolas e geração e distribuição de energia.
O bloco recorrerá ainda ao diálogo político com outros países para desestimular as restrições e proibições impostas à exportação de alimentos. Os participantes do encontro também passaram em revista a negociação dos Acordos de Associação Econômica (Epas, na sigla em inglês), que buscam promover a integração gradual dos países de África, Caribe e Pacífico na economia mundial.

Depois dos debates, os ministros reconheceram "as preocupações de alguns dos parceiros da África, Caribe e Pacífico e a existência, em alguns casos, de assuntos problemáticos a serem resolvidos", razão pela qual foi requisitado um enfoque "flexível" que, ao mesmo tempo, permita avanços nas negociações.

Mulher

Sobre os progressos relativos aos Objetivos do Milênio, dentre estes a redução à metade da pobreza e da fome até 2015, a melhoria da situação da mulher e a promoção da educação universal receberam apoio a proposta para a criação de uma agenda específica.Segundo informações, os Estados-membros da UE foram incentivados a "estabelecer o mais rápido possível (...) calendários indicativos plurianuais que indiquem a maneira como os países pretendem alcançar suas respectivas metas".

Um grupo de países tentou fazer com que o texto final do encontro obrigasse os Estados-membros a criar esses calendários, para garantir o cumprimento das metas.No entanto, Itália, França e outras nações são contra essa obrigatoriedade, e argumentam que, embora queiram honrar seus compromissos, enfrentam as dificuldades decorrentes da crise atual.

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